Em expansao vertiginosa
quarta-feira, outubro 29, 2003
  Retorno

Caro Tca, o mapa do Padeiro (Baker) generalizado pode ser dissipativo ou não-dissipativo. Gosto muito deste mapa porque permite introduzir de uma forma simples o conceito de atractor estranho no caso dissipativo e o conceito de "mixing" numa dinâmica conservativa. 
terça-feira, outubro 28, 2003
  Emoção - Ao encontro de Espinosa, António Damásio
Subitamente interessado na emoção dei por mim a ler o livro do A. Damásio, Ao encontro de Espinosa, As emoções Sociais e a Neurologia do Sentir publicado pelas Publicações Europa-América. Pareceu-me interessante partilhar no Blogue alguns "sublinhados" dessa leitura,

Sublinhados II
Shakespeare já o tinha dito

Na parte final de Ricardo II (...) explica a Bolingbroke a distinção entre emoção e sentimento.
(...) À parte pública do processo chamo emoção e à parte privada sentimento(...)
(...)
As emoções desenrolam-se no teatro do corpo. Os sentimentos desenrolam-se no teatro da mente.
(...) São os sentimentos que constituem as sombras das manifestações emocionais(...)
(...)
temos emoções primeiro e sentimos depois porque na evolução biológica as emoções vieram primeiro e os sentimentos depois. (...)
(...)
A dor ou prazer têm causas diversas-problemas da função corporal, funcionamento ideal do metabolismo ou acontecimentos exteriores que ameaçam o organismo ou promovem a sua protecção.(...) a experiência da dor ou do prazer não é a causa dos comportamentos de dor ou de prazer (...)
(...) apetite designa o estado comportamental de um organismo afectado por uma pulsão. (...) desejo refere-se ao sentimento consciente de um apetite (...) esta distinção espinosiana(...)
(...) um organismo vivo está construído de forma a lutar(...) pela manutenção da coerência das suas estruturas e funções.


(...) Podemos compreender (...) que certas emoções são más conselheiras e procurar modos de suprimir ou reduzir as consequências desses maus conselhos.
(...)
Há provas abundantes que os organismos simples exibem reacções emocionais. Basta pensar na solitária paramécia, um organismo unicelular(...)
Esta capacidade está contida na maquinaria(...) do genoma da pobre e descerebrada paramécia.
(...) Claro que possuir um cérebro, mesmo que modesto, ajuda a sobrevida(...)
(...) mosca (...) a minúscuia drosophila possui o equivalente dos nossos ciclos de dia e noite(...)
(...) Será que a Aplysia tem emoções? Pofr certo. Será que tem sentimentos? Não sei, provavelmente não.
(...) emoções são colecçõesde respostas reflexas (...) pode atingir níveis de elaboração e coordenação extraordinários.
(...) emoções de fundo (...) não especialmente proeminentes mas muito importantes.
(...) O diagnóstico das emoções de fundo depende de manifestações subtis (...) o perfil dos movimentos(...)- a força(...) precisão (...) frequência e amplitude (...) expressões faciais.
(...) emoções primárias (...) medo, a zanga, o nojo, a surpresa, a tristeza e a felicidade (...)
(...) emoções sociais (...) simpatia, compaixão, embaraço, vergonha, culpa, orgulho, ciúme, inveja, gratidão, admiração e o espanto, indignação e o desprezo.
(...) encaixamento de componentes mais simples é observável.
(...) a minhoca C. elegans tem exactamente 302 neurónios e cerca de 5000 conexões interneuronais (...) os seres humanos possuem vários biliões de neurónios e vários triliões de conexões (...)
(...) algumas das emoções sociais humanas são provocadas sem que o estimulo seja imedaitamente aparente(...)
(...) razões por que algumas pessoas se tornam líderes e outras seguidoras, por que algumas pessoas comandam respeito e outras se acobardam tem muitas vezes pouco a ver com conhecimentos ou aptidões dessas pessoas, mas muitissimo a ver com qualidades físicas que promovem certas respostas emocionais nos outros.
(...) devemos agradecer a Darwin(...)
(...) Existe uma outra classe de reacções cuja origem não é consciente mas é formada pela aprendizagem (...) Neste particular devemos reservar a nossa gratidão para Freud.
(...) todos os fenómenos(...) têm a ver, directa ou indirectamente, com a saúde do organismo.
(...)
A maior parte dos seres vivos (...) detecta a presença de estímulos (...) e responde impensadamente com emoção.(...)Faltam as estruturas cerebrais (...) para representarem em mapas sensoriais as transforma~ções que ocorrem no corpo durante a emoção. Também faltam(...) as estruturas (...) para representar a simulação antecipada dessas transformações (...) ,por exemplo, (...) a base do desejo ou da ansiedade.
(...) os seres humanos estão de parabéns (...) por duas razões. Primeiro (...) reacções automáticas criam (...) condições que são mapeadas no sistema nervoso, representadas como agradáveis ou dolorosas, e eeventualmente feitas conscientes. (...) segunda (...) conscientes da relação entre certos ojectivos e certas emoções podem esforçar-se, de livre vontade, por controlar as suas emoções, pelo menos em parte.


Um pequeno comentário: foi a constatação da ausência de exercicio desta faculdade, em certas circunstâncias, que me levou, recentemente, a interessar-me pela emoção.

 
segunda-feira, outubro 27, 2003
  Carta Aberta do Sr. Bastonário ao Sr. Procurador Geral.

Excelente.

O Sr. Procurador é quem manda e quem deve orientar. As violações do segredo de justiça têm uma longa história. Aparentemente não se conhecem sugestões ao poder legislativo no sentido de melhorar o sistema. Há processos que atraem sobre si mais atenção que muitos outros. Todos o sabiam. Se o Dr. Guerra sabia o que estava a fazer, ao incluir certos extractos de escutas nas contra-alegações ao tribunal da relação, devia munir-se de especial cautela e ponderação. Em especial porque muito do material é, apesar de irrelevante para a investigação, extremamente tóxico. Se não sabia, pior ainda. Se sabia, ponderou e não acautelou, péssimo. Se..., horroroso. Haverá alguma possibilidade favorável ao Dr. Guerra? X sob escuta contacta Y, Y é colocado sob escuta e contacta Z ... Obviamente, não pode ser. Y não é suspeito, nem arguido, pelo que se sabe. Qual a relevância dos contactos, no que diz respeito à obstrução da justiça ou alarme público? Aparentemente, nenhuma, ou deveria considerar-se a possibilidade dos contactados serem ouvidos no inquèrito ou até poderia abrir-se processo crime autónomo. Como pode a prisão preventiva evitar uma obstrução à justiça, que tem origem em terceiros, admitindo, por absurdo, que fosse esse o caso?  
  Eterno Retorno

Num universo em expansão eterna não existe possibilidade de recorrência, neste sentido. Porque o próprio espaço está a crescer incluindo as vizinhanças da condição inicial. As condições do teorema não parecem sequer satisfeitas. Mesmo num universo finito, em que a entropia aumenta, durante a contracção, parece-me a mim, não pode haver recorrência no sentido de Poincaré. Gostava de saber mais sobre isto. Em qualquer caso, o Teorema de Poincaré, é de certo modo irrelevante, apesar de verdadeiro, se o tempo de recorrência fôr comparável à idade do universo, como parece ser, para um qualquer sistema macroscópico. Não deixa de ser curioso que Nietsche tenha procurado fundar a sua ideia de eterno retorno na ciência.  
  Emoção - Ao encontro de Espinosa, António Damásio
Subitamente interessado na emoção dei por mim a ler o livro do A. Damásio, Ao encontro de Espinosa, As emoções Sociais e a Neurologia do Sentir publicado pelas Publicações Europa-América. Pareceu-me interessante partilhar no Blogue alguns "sublinhados" dessa leitura,

Sublinhados I
(...) A crueldade da doença neurológica é um poço sem fundo para as suas vítimas - os doentes, bem como os médicos ....a doença funciona como um bisturi que separa o cérebro normal do cérebro doente...assim permite uma rara porta de entrada na fortaleza do cérebro e mente.
(...)
A emoção e o sentimento eram irmão gémeos...Apesar da intimidade e aparente simultaneidade, tudo indicava que a emoção precedia o sentimento.


Damásio visita em Haia a casa onde faleceu Espinosa

(...) Espinosa dizia que o amor nada mais é que um estado agradável, a alegria, acompanhado pela ideia de uma causa exterior (...) estava a separar(...) o processo de sentir do processo de ter uma ideia sobre um objecto que pode causar uma emoção.
(...) Ainda mais fascinante(...) a sua noção de que a mente humana é a ideia do corpo humano.
(...) Espinosa era simpático com gente simples e impaciente com os seus pares.


(...) em 1672 durante uma das horas mais negras da história da Holanda(...) De Witt e o seu irmão foram assassinados por uma turba, em consequência da suspeita infundada de que eram traidores da causa holandesa na guerra com a França(...)

(...) Espinosa preparou um dístico(...) ultimi barbororum (o cúmulo da barbaridade), (...)

(...) O frontspicio do Tractactus(...) apesar do livro ter sido escrito em latim (...) as autoridades holandesas proibiram-no em 1674.(...) foi colocado no index do Vaticano(...)
(...) da inscrição que Descartes preparou para o seu próprio túmulo: aquele que se escondeu bem viveu bem. Apenas 27 anos separam a morte de Descartes e Espinosa (Descartes morreu em 1650).(...)

(...) Devemos estar gratos por viver numa época bem mais tolerante (...)mesmo assim continua a recomendar-se prudência.

(...) O Deus de Espinosa estava em toda a parte, dentro de cada partícula do universo (...) mas não respondia nem a preces nem a lamentações.

(...) neste pequeno espaço recebeu Leibniz e Huygens.(...) 
sexta-feira, outubro 24, 2003
  Emoção
Gosto de pessoas emotivas. Atraem-me instintivamente. Todos os meus amigos são emotivos. Contrariamente ao que dizem, os que não me conhecem, também sou emotivo. Como a neurociência moderna parece mostrar, a emoção tem um papel, surpreendente, na tomada de decisões.

Suspeito, embora não possa demonstrar, que a emoção é decantada pela razão através de um certo filtro percolativo, estruturante, responsável em última análise por uma qualquer forma de coerência. Embora, sempre presente, a emoção, pode estar muito bem escondida nesta aparente coerência.

Como se sabe, as emoções públicas são muito diferentes das emoções privadas. Mesmo as privadas em público. As públicas tendem a ser mais estruturadas.
Nomeadamente as emoções políticas. As de um líder são, então, normalmente, muitíssimo estruturadas.

Sobretudo, porque se espera que, em particulares momentos, um líder, seja capaz de aparentar total ausência de emoções.

Em política, quando alguém diz publicamente, muito embora pense que não há nada de errado com a minha cabeçinha, aqui estou perante vós, se acham que mereço ser decapitado, façam o favor, é quase certo, com ou sem emoção, que se está de cabeça perdida. Pode lamentar-se, mas é assim que as coisas funcionam.

P.S. Deve ressalvar-se que, nos períodos eleitorais, se espera que um político ofereça a sua própria cabeça, sendo essa atitude, aliás, indispensável para que a venha a salvar. Fora desses períodos, tal atitude tem um significado completamente diferente.
 
terça-feira, outubro 21, 2003
  Miguel Sousa Tavares na TVI

Acabaram de me relatar o excelente comentário de Miguel Sousa Tavares sobre os últimos acontecimentos do caso casa Pia, face a uma pivô cerebralmente interestelar.

Perguntou: A quem aproveita a quebra do segredo de justiça? E respondeu muito bem, explicando: às autoridades judiciais. Já a procuradoria geral em comunicado alertava contra eventuais interpretações delirantes sobre a origem das fugas de informação. Um total absurdo que só pode vir de pessoas que perderam a serenidade exigida. Anuncia-se que se vai abrir um inquérito sobre a violação do segredo de justiça e de imediato se informa que existem certas possibilidades delirantes e que a responsabilidade pode muito bem ter sido da defesa.

Espero bem que os magistrados que terão a cargo a inquirição sob a violação do segredo de justiça se entreguem, de corpo e alma, ao delírio, sob pena de jamais se ficar a saber de onde partiram as fugas de informação.

P.S: O texto integral do, lamentável, comunicado da Procuradoria-Geral de 20 de Outubro pode ser lido aqui. Se retirados os pontos 1, 2,3, 5, 6 e parte do 8, o comunicado pareceria perfeitamente normal. 
segunda-feira, outubro 20, 2003
  Custa-me tanto concordar com o Luís Delgado.

 
quinta-feira, outubro 16, 2003
  Istambul
Excelentes textos sobre Istambul no Abrupto que me dizem muito pela felicidade que tive em visitar a cidade em Julho de 1993. A mesma sensação da dificuldade em regular a "força natural" de uma sociedade. 
quarta-feira, outubro 15, 2003
  A imbecilidade (irrazoabilidade) fundamental

Do texto, "The unreasonable efectiveness of mathematics in the natural sciences" de E. Wigner que pode ser lido na integra a partir do site do Prof. Nuno Crato:
(...)
The preceding two stories illustrate the two main points which are the subjects of the present discourse. The first point is that mathematical concepts turn up in entirely unexpected connections. Moreover, they often permit an unexpectedly close and accurate description of the phenomena in these connections. Secondly, just because of this circumstance, and because we do not understand the reasons of their usefulness, we cannot know whether a theory formulated in terms of mathematical concepts is uniquely appropriate. We are in a position similar to that of a man who was provided with a bunch of keys and who, having to open several doors in succession, always hit on the right key on the first or second trial. He became skeptical concerning the uniqueness of the coordination between keys and doors.
(...)
A possible explanation of the physicist's use of mathematics to formulate his laws of nature is that he is a somewhat irresponsible person. As a result, when he finds a connection between two quantities which resembles a connection well-known from mathematics, he will jump at the conclusion that the connection is that discussed in mathematics simply because he does not know of any other similar connection. It is not the intention of the present discussion to refute the charge that the physicist is a somewhat irresponsible person. Perhaps he is. However, it is important to point out that the mathematical formulation of the physicist's often crude experience leads in an uncanny number of cases to an amazingly accurate description of a large class of phenomena. (...)
(...)
Philosophically, the law of gravitation as formulated by Newton was repugnant to his time and to himself. (...)
(...)
The preceding three examples, which could be multiplied almost indefinitely, should illustrate the appropriateness and accuracy of the mathematical formulation of the laws of nature in terms of concepts chosen for their manipulability, the "laws of nature" being of almost fantastic accuracy but of strictly limited scope. I propose to refer to the observation which these examples illustrate as the empirical law of epistemology. Together with the laws of invariance of physical theories, it is an indispensable foundation of these theories. Without the laws of invariance the physical theories could have been given no foundation of fact; if the empirical law of epistemology were not correct, we would lack the encouragement and reassurance which are emotional necessities, without which the "laws of nature" could not have been successfully explored. Dr. R. G. Sachs, with whom I discussed the empirical law of epistemology, called it an article of faith of the theoretical physicist, and it is surely that. However, what he called our article of faith can be well supported by actual examples, many examples in addition to the three which have been mentioned.
(...)
Let me end on a more cheerful note. The miracle of the appropriateness of the language of mathematics for the formulation of the laws of physics is a wonderful gift which we neither understand nor deserve. We should be grateful for it and hope that it will remain valid in future research and that it will extend, for better or for worse, to our pleasure, even though perhaps also to our bafflement, to wide branches of learning.
 
  Curva

Apesar da minha experiência de condução em estradas portuguesas, nunca me senti seguro a viajar de automóvel na Roménia. Institivamente, alertava o condutor para a aproximação de cada curva na estrada. E fazia-o mecanicamente em português. Para surpresa minha isso causava uma enorme boa disposição nos amigos romenos. De cada vez que alertava para a eminência de uma curva perigosa havia uma explosão de gargalhadas. Até que me esclareceram. Curva tem um significado particular em romeno. Vai para a "curva" ..., em romeno, quer dizer mais ou menos em português, vai apanhar cardos...Em romeno também existe "curba" que tem o mesmo significado que curva em português. Estamos, portanto, a tornar-nos, perigosamente, latinistas, embora não ilustres.
 
terça-feira, outubro 14, 2003
  O Beijo
Vi umas referências ao Brancusi (ver aqui também) na Montanha Mágica e fiquei com vontade de fazer um breve relato da minha viagem a Craiova.

A viagem de Bucareste a Craiova por estrada foi uma aventura. A auto-estrada terminou 100Km depois do seu inicio. No sítio onde Ceausescu foi apanhado. Os restantes quilómetros foram percorridos a alta velocidade com valas no lugar de bermas e pontes em obras. Os meus amigos notaram a minha palidez. Que amáveis e simpáticos. Para me aliviar fui perguntando ao motorista há quanto tempo conduzia, se tinha tido algum acidente e coisas assim. Era o melhor motorista do mundo, infelizmente.

No fim de semana fomos a Tirgu Jiu e percorremos o complexo de esculturas de Brancusi. Aqui ao lado está a Coluna Sem Fim (de 1937). No jardim comprei uma réplica da Mademoiselle Pogany (1913). Descreviam-me as esculturas e o seu significado. Daí seguimos para muitos quilómetros à frente chegarmos à região de Pestisani, à casa onde nasceu Brancusi. Uma casa de camponeses totalmente em madeira. Numa região rural muito pobre. Muita gente na rua, sentada na frente das casas, sem nada para fazer. Na viagem ouvíamos Amália e música romena. Algo inesquecível. Continuarei mais tarde.

O beijo (1908). A sua primeira versão foi feita para um túmulo no cemitério de Montparnasse. No Museu de Arte de Filadélfia encontra-se uma versão de 1912.

"The Kiss was a sculpture to crown the headstone over the ivy-covered grave of a friend, in the Cimetiere Montparnasse. It shows a man and a women in close embrace. With The Kiss Brancusi presents death and life as an inseparable duality -- two opposites, man and woman. "


 
segunda-feira, outubro 13, 2003
  Prós e Contra das Propinas (Actualizado)
Estou a seguir o debate. Nada de novo. Segundo intervalo. Quem se lembrou do Capitão? Não haveria uma patente mais qualificada?

Senti-me insultado pelo Tribolet. Mas os nossos juízos fazem transparecer essencialmente as nossas experiências.

Actualização:
Tomei conhecimento, dia 16 de Outubro, de adicionais façanhas do deputado Capitão. Agora a propósito de "software" livre.  
  Ciência na casa de banho

Muito boa ciência na Filosofia Natural.
Lembro-me de assistir a uma palestra do Dennis Weaire onde demonstrava as propriedades elásticas das espumas com espuma de barbear. Sacava do "spray", espalhava na cara. Concluido o argumento, passava a mão pela cara e a palestra prosseguia durante breves instantes com a mão no bolso.

Para além de toda a física que se pode fazer na casa de banho - dinâmica de fluídos, termodinâmica, bolhas, espumas, sabões, etc, trata-se de um local extraordinário para se ter muito boas ideias.  
domingo, outubro 12, 2003
  Expansões no vácuo
A propósito dos posts da metamorfose e do abundante tempo livre.

Existe o perigo de as imagens usadas pelos cientistas e pelos jornalistas da ciência, na tentativa de explicar ao cidadão comum o resultado de pesquisas, originarem concepções erradas. Este efeito resulta de a própria imagem poder ser tomada e utilizada para além do que esperaria o seu próprio autor. Por exemplo, em muitas das imagens que se podem dar do universo é difícil escapar a induzir a percepção de que a sua expansão procede de um centro. Por outro lado, as imagens são usadas para captar a atenção do leitor. Muito menos leitores se motivariam pela leitura de um artigo que fala de um toróide que por outro que fala de uma "rosca" ou de um "doughnut". A metamorfose chama a atenção para o facto do universo ser noticia quando é uma bola de futebol e possivelmente não voltar a sê-lo se passar a ter uma topologia menos mediática e não enquadrável na topologia dos media. Desta topologia, resulta um mecanismo de filtragem da informação que condiciona a própria percepção do mundo construída pelo cidadão comum.

Concordando com o abundante tempo livre, não há dúvida, que mais grave é a ausência de questionamento sobre o que são as coisas e como funcionam. Ainda há pouco tempo vi uma excelente e proeminente jornalista dizer que a observação de transições de fase em substâncias como a água não lhe suscitava particulares interrogações. Simplesmente acontece, dizia, nem sequer lhe ocorrendo fazer disso uma questão.

A capacidade de fazer perguntas como aquela é o que se chama cultura geral cientifica. Nas ultimas décadas todos os aspectos relacionados com a ciência, no nosso país, incluindo este, registaram uma melhoria considerável. Na atenção dos jornais a temas de ciência, na actividade editorial, no desenvolvimento da investigação em ciência, visível por exemplo no aumento do número de doutorados e no número de publicações em revistas de prestigio. Os portugueses que fazem investigação de elevada qualidade, seja no país ou no estrangeiro, começam a ter visibilidade pública e os seus trabalhos atraem a atenção das pessoas.

Porém ainda existe um grande caminho a percorrer. Sobretudo, o ensino deve promover a valorização da ciência e da actividade cientifica, criando essa necessidade de colocar questões sobre o que nos rodeia. Julgo que uma medida do interesse pela ciência numa sociedade pode ser um fiável indicador do seu grau de desenvolvimento que é vulgarmente medido pela capacidade de gerar riqueza e por indicadores directos de bem-estar.

Igualmente grave, raro, mas não negligenciável, é o aproveitamento do desconhecimento de alguns jornalistas, por alguns (poucos) investigadores que, por omissão, não por intenção, deixam passar a ideia que o resultado das suas investigações tem originalidade, valia cientifica, aplicabilidade e utilidade para o público, maior que a que realmente tem. Tudo isto por uma sede de reconhecimento público desajustada que se compreende face ao invulgar alheamento da sociedade à problemática cientifica mesmo quando comparado com o eventual alheamento por actividades de natureza cultural, como a arte (em sentido lato).

P.S.: Ponho ainda a possibilidade do raro fenómeno aqui relatado ser, em alguns casos, uma mera manisfestação de uma forma de imbecilidade. Nessas circunstâncias não há consciência do acto praticado e prevalece o sentimento da importante contribuição para o avanço da ciência.  
  Manual escolar

Ide, Ide.... 
sábado, outubro 11, 2003
  Nota Breve

Excelente reflexão sobre Topologia Mediática. Esta topologia tem muitos "meandros".
Por exemplo, não há muito tempo, visionei, estupefacto, um noticiário que dava imenso destaque ao desenvolvimento de uma maquineta para alimentação automática de cães e gatos.

No Abundante tempo livre, uma interessante contribuição para aquele Universo que satisfaz os nossos mais intimos desejos. O Tca diz-nos que prefere um universo estático mas infinito. A Cath está, como eu, apoiando as "roscas".

Encontrei hoje mais um blog de alguém interessado em Física, A Filosofia Natural. Vai já aqui para o lado.

O Teste de Turing também não achou graça nenhuma a que alguém do Público tenha classificado Oppenheimer de físico alemão.
 
sexta-feira, outubro 10, 2003
  A forma e o tamanho do Universo

Para além do link ao recente artigo da Nature e do recente artigo do NYTimes que nos são indicados pela Metamorfose e pela Base foi publicado em Março de 2003 um outro artigo no NYTimes que dava conta da publicação dos primeiros resultados da análise de dados do satélite WMAP pela equipa da Pensilvania do Dr. Tegmark e da Dra. Angélica de Oliveira-Costa.

Se é possivel manifestar preferências diria que gostava de um universo finito e com a forma de um "doughnut". Finito para não haver nada infinitamente longe de casa. Com a forma de um doughnut para pelo menos em alguma direcção ser ainda mais pequenino (curiosamente seria a direcção da constelação Virgem). Mas, que fosse suficientemente grande para haver muito boa "gente" por aí. Se um modelo oscilatório funcionasse não era mau (mas parece que não). Com a entropia sempre a aumentar também não me servia de muito. Já a ideia do tempo imaginário me agrada. 
quinta-feira, outubro 09, 2003
  Early Morning Watch

Il buon giorno si vede dal mattino - Giorgio Parisi.

 
  Nobel Super (Condutividade, Fluidez )

Abrikosov, Ginzburg, Legget (2003). Física Teórica da Matéria Condensada.

Prémios em Supercondutividade e Superfluidez:

Kamerlingh Onnes (1913); Landau (1962); Bardeen Cooper e Schrieffer (1972); Josephson (1973);Kapitza (1978);Muller e Bednorz (1987);
David Lee, Douglas Osheroff e Robert Richardson (1996)

 
sexta-feira, outubro 03, 2003
  A formiga partiu

A formiga deu-nos uma das mais interessantes contribuições para a BlogoFractolandia. Falava-nos sempre de novas maneiras de olhar para as coisas num formato sempre original e estimulante. Não o disse antes do fim do count down porque só quem parte sabe a razão e não nos compete interferir. Espero que volte, mais tarde ou mais cedo, para explorar uma qualquer outra metáfora.  
  Obsessão Compulsiva

Mudei temporariamente de obsessão e levei a compulsividade pelo que estamos a funcionar com a intermitência.
 
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