Em expansao vertiginosa
terça-feira, dezembro 30, 2003
  Última Hora

Recebemos mesmo agora um "etherial mail" de uma amiga preocupadissima com o nosso estado de saúde. Calma, calma... está tudo sobre controle. Veja lá que até estivemos a ouvir o Joaquin Sabina (que o Raul me deu a conhecer) a cantar o "Yo quiero ser una chica Almodovar".

Yo quiero ser una chica Almodovar
como la Maura, como Victoria Abril
un poco lista, un poquitín boba,
ir con Madonna en una limousine.

Yo quiero ser una chica Almodovar
como Bibí, como Miguel Bosé
pasar de todo y no pasar de moda,
bailar contigo el último cuplé.

Y no parar de viajar del invierno al verano,
de Madrid a New York, del abrazo al olvido,
dejarte entre tinieblas escuchando un ruido
de tacones lejanos.

Encontrar la salida de este gris laberinto,
sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
tener en cada puerto un amante distinto
no gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!

Yo quiero ser una chica Almodovar
como Pepi, como Luci como Bom
venderle al Garbo mis secretos de alcoba,
ponerme luto por un matador.

Yo quiero ser una chica Almodovar
que a su chico le suplique ¡Atame!
no dar el alma sino a quien me la roba,
desayunar en Tifanis con él.

Y no permitir que me coman el coco
esas chungas movidas de Croatas y Serbios
ir por la vida al borde de un ataque de nervios,
con faldas y a lo loco.

Encontrar la salida de este gris laberinto,
sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
tener en cada puerto un amante distinto
no gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!

Como patidifusa escribir mis memorias,
apuntarme a cualquier tipo de bombardeo
no tener otra fe que la piel,
ni más ley que la ley del deseo.

Encontrar la salida de este gris laberinto,
sin pasión ni pecado, ni locura ni incesto,
tener en cada puerto un amante distinto
no gritar ¡que he echo yo, para merecer esto!

 
  O Blogue do Teixeira de Pascoais
O Teixeira de Pascoais, em 1921, escreveu para um blogue chamado, O Bailado. O nono post (ou a nona posta) do blogue transcreve-se, parcialmente, em baixo. Também os outros, aqueles que mais queremos, nascem e morrem, continuamente, e os que queremos muito e morreram nunca mais nos param de morrer.

IX
O homem nasce e morre várias vezes, desde que sai do berço até que entra no túmulo.
Viver é nascer e morrer, a toda a hora.
O homem não vive; - nasce e morre.
Viver vivem as árvores... e certas criaturas que eu conheço, profundamente vegetais,-só raiz entranhada no estrume!
E vive a donzela, que é uma flor...
Mas um homem, apanhado na rede viva dos seus nervos, debate-se, estrebucha, sufoca! É um peixe monstruoso fora da água, deslumbrado e agonizante! Consegue entrever um novo mundo para que os seus olhos não foram feitos...Pobre dele! Morre, saindo fora da água, contemplando a luz, e revive quando se escapa do laço traiçoeiro e volta a mergulhar na fundura.
(...) 
segunda-feira, dezembro 29, 2003
  Mystic River en El Corte I...
Tão importante aproveitar a vovozinha perto. Como sempre, atrasadissimos. O cunhado sempre indeciso desde que o levei a não sei que filme, não se fia. A cunhadinha aproveita. Afinal, não fazia falta a avó. Ah, bom, temos que passar pela casa da Zé, mas como se vai para lá?! Todos os anos a mesma confusão, não acerto... Deve haver duas estradas de Benfica, seguramente. Atrasadíssimos...Já perdemos a das 21h30min. Meia noite e um quarto, paciência. Que calor!? Podemos sempre dar uma voltinha. Incrível, na secção das utilidades domésticas, o Ricardinho, com um amigo bem mais velho e umas brasas, bem mais novas, a caminho do fim de ano, só pode ser. Porque estavam tão interessados em trens de cozinha? Felizmente não me viram. Fico a pensar (continuo)... De cima a baixo, saldos (descontos, filho) tão cedo, impressionante, talvez a crise. Uma tosteira, meia-desmontável, é o que precisamos. O elevador encravou. Estamos no segundo andar, só que a porta não abre. Alarme, dois minutos e ainda não ouviram. A Ana grita, ou diz parvoíces sem parar que é a sua forma de gritar. Por favor não respirem, o elevador está cheio, temos agua, alguém tem água, vamos pedir uma ideminização. Uma senhora tem leite e garante que o ar circula. Claro que circula, é obvio. O velho Clint domina a técnica, conta a estória escorreitinha. Vai-nos metendo dentro sem darmos por isso. Tantas formas de violência encaixadas. Quem reparou no pormenor da chamada? Quem foi? Podia ter acabado o filme um pedacinho mais cedo com o Sean Penn agarrado ao Jack Daniels a ir-se embora de costas para a câmara. Podia. Mas não resistiu a mostrar ainda outra forma de violência. Deve ter sido isso. Três e meia, ou perto disso. Onde se paga? Ah , não se paga depois da uma. Mas que bom...Não podia imaginar. Que espiral infernal para entrar e sair deste parque! 
  A ideia da recorrência
A diferentes escalas, na noite (individuo), no humano, no
universo. A ideia da repetição do imperfeito e inacabado.

La noche cíclica de Jorge Luis Borges

Lo supieron los arduos alumnos de Pitágoras:
Los astros y los hombres vuelven cíclicamente;
Los átomos fatales repetirán la urgente
Afrodita de oro, los tebanos, las ágoras.

En edades futuras oprimirá el centauro
Con el casco solípedo el pecho del lapita;
Cuando Roma sea polvo, gemirá en la infinita
Noche de su palacio fétido el minotauro.

Volverá toda noche de insomnio: minuciosa.
La mano que esto escribe renacerá del mismo
Vientre. Férreos ejércitos construirán el abismo.
(David Hume de Edimburgo dijo la misma cosa.)

No sé si volveremos en un ciclo segundo
Como vuelven las cifras de una fracción periódica;
Pero sé que una oscura rotación pitagórica
Noche a noche me deja en un lugar del mundo.

Que es de los arrabales. Una esquina remota
Que puede ser del norte, del sur o del oeste,
Pero que tiene siempre una tapia celeste,
Una higuera sombría y una vereda rota.

Ahí está Buenos Aires. El tiempo que a los hombres
Trae el amor o el oro, a mí apenas me deja
Esta rosa apagada, esta vana madeja
De calles que repiten los pretéritos nombres

De mi sangre: Laprida, Cabrera, Soler, Suárez...
Nombres en que retumban (ya secretas) las dianas,
Las repúblicas, los caballos y las mañanas,
Las felices victorias, las muertes militares.

Las plazas agravadas por la noche sin dueño
Son los patios profundos de un árido palacio
Y las calles unánimes que engendran el espacio
Son corredores de vago miedo y de sueño.

Vuelve la noche cóncava que descifró Anaxágoras;
Vuelve a mi carne humana la eternidad constante
Y el recuerdo ¿el proyecto? de un poema incesante:
«Lo supieron los arduos alumnos de Pitágoras...»


 
domingo, dezembro 21, 2003
  - But that's impossible.
- Yes, for us, but not for him.

The Seventh Seal (1956) Written and Directed by Ingmar Bergman Based on the Play by Ingmar Bergman

Impressionou-me muito esta cena onde se sublinha a capacidade humana de acreditar no futuro apesar de toda a miserabilidade da existência.



Joseph: Mary! l have seen something!
Mary: What has happened?
Joseph: A vision. lt was quite real.
Mary: You and your visions!
Joseph:l saw her anyway.
Mary: Who?
Joseph: The Virgin Mary.
Mary:Did you really see her?
Joseph: l could have touched her. With her crown of gold and her blue robe. She was holding the Child and teaching Him to walk. When she saw me, she smiled. l had tears in my eyes. And when l wiped them away, she was gone. And there was a great silence... in heaven and on earth.
Mary: The things you make up!
Joseph: You don't believe me, but it was true.
Mary: lt's not the reality you see, but another kind. Like the Devil painting the wheels red...and using his tail as a brush.
Joseph: Why did you remind me?
Mary: And you had red paint under your nails.
Joseph: Well, l did make that up...so that you would believe my other visions.
Mary: Mind you're not taken for a fool. Because you're not. At least not yet.
Joseph: lt's not my fault if l hear voices... and see the Virgin, and if angels and devils like my company.

(...)

Mary: l want a better life for Michael.
Joseph: He is going to be a great acrobat. Or a juggler who does the one impossible trick.
Mary: What trick is that?
Joseph: Make a ball stand still in the air.
Mary: But that's impossible.
Joseph: Yes, for us, but not for him.
Mary: Always daydreaming!
Joseph: l've written a song. Do you want to hear it?
Mary: Yes. l'm very curious.
Joseph singing: ....
Joseph: Are you asleep?
Mary: lt was a lovely song.
Joseph: lt's not finished.
Mary: l heard, but l'll sleep a bit more. Sing me the rest later.
Joseph: You just sleep and sleep. 
sábado, dezembro 13, 2003
  Discordar
Agradeço as simpáticas palavras do editor da Máquina de Turing. Na verdade, valorizo muitissimo a cordialidade. Muito importante é tentar encontrar a razão última da discordia. Não me refiro especificamente à interessante troca de ideias sobre a recente publicação de Damásio que teve lugar. Genericamente, essa devia ser uma preocupação sempre presente.

Recentemente, e não tem nada a ver com o Blogue, tenho sido confrontado com um outro "fenómeno": pessoas que pensam coisas diferentes julgam pensar o mesmo. Passa algum tempo e finalmente dão-se conta da distância que os separa. Naturalmente, daqui resulta a maior das complicações que só pode ser evitada por um grande esforço na utilização de uma linguagem clara e, muitas vezes, expressando as mesmas ideias de diferentes formas.Sempre se ganha alguma coisa quando se diz a mesma coisa de maneiras diferentes. A Matemática e a Física está cheia de exemplos que mostram este facto.

Pior que tudo o que se possa imaginar, é o caso, não tão raro assim, de pessoas que sabem muito bem que estão em desacordo, mas simulam estar de acordo. A isto pode chamar-se pesadelo. Curiosamente, Damásio refere no capítulo "Fundamentos da Virtude", as ideias de Espinosa sobre a importância de se dizer e fazer sempre o que se pensa - o caminho para a felicidade do ponto de vista individual e colectivo. Este capítulo do "Ao encontro de Espinosa" merecia um post, por si só, mas infelizmente não tenho tempo agora para dedicar a este importante tema. 
  The story of a challenge to death
The Seventh Seal (1956) Written and Directed by Ingmar Bergman Based on the Play by Ingmar Bergman



Antonius Block: l want to confess as best l can ...but my heart is void. The void is a mirror. l see my face...and feel loathing and horror. My indifference to men has shut me out. l live now in a world of ghosts...a prisoner in my dreams.
Death: - Yet you do not want to die.
Antonius Block: Yes, l do.
Death: What are you waiting for?
Antonius Block: Knowledge.
Death: You want an guarantee.
Antonius Block: Call it what you will.
....
ls it so hard to conceive God with one's senses? Why must He hide in a midst of vague promises...and invisible miracles? How are we to believe the believers when we don't believe ourselves? What will become of us who want to believe, but cannot? And what of those who neither will nor can believe? Why can l not kill God within me? Why does He go on living in a painful, humiliating way? l want to tear Him out of my heart... but He remains a mocking reality... which l cannot get rid of. Do you hear me?
Death: l hear you.
Antonius Block: l want knowledge. Not belief. Not surmise. But knowledge.
Antonius Block: l want God to put out His hand... show His face, speak to me. But He is silent. l cry to Him in the dark, but there seems to be no one there.
Death: Perhaps there is no one there.
Antonius Block: Then life is a senseless terror. No man can live with Death and know that everything is nothing.
Death: Most people think neither of Death nor nothingness.
Antonius Block: Until they stand on the edge of life and see the Darkness.
Death: Ah, that day.
Antonius Block: l see. We must make an idol of our fear...and call it God.
Death: You are uneasy.
Antonius Block: Death visited me this morning. We are playing chess. This respite enables me to perform a vital errand.
Death: What errand?
Antonius Block: My whole life has been a meaningless search. l say it without bitterness or self-reproach. l know it is the same for all. But l want to use my respite for one significant action.
Death: So you play chess with Death?
Antonius Block: He is a skillful tactician...but l have not yet lost one piece.
Death: How can you outwit Death?
Antonius Block: By a combination of bishop and knight...l will break his flank.
Death: l shall remember that.
Antonius Block: Traitor! You have tricked me! But l'll find a way out.
Death: We will resume our game at the inn.
Antonius Block: This is my hand. l can move it. The blood is pulsing in my veins. The sun is still at the zenith...and l, Antonius Block... am playing chess with Death! 
segunda-feira, dezembro 08, 2003
  O Humano e o não humano

Diz o professor Boaventura Sousa Santos no seu discurso sobre as ciências publicado pelas edições afrontamento em 1987 e que desde essa altura já conheceu catorze edições:

"Os avanços recentes da física e da biologia põem em causa a distinção entre o orgânico e o inorgânico, entre seres vivos e matéria inerte e mesmo entre o humano e o não humano." (pg 37.) "

Também me parece que assim é. Mas as razões porque também penso assim são exactamente as opostas daquelas que são invocadas pelo distinto professor.
Explicitando o seu pensamento afirma:

"Para não irmos mais longe, quer a teoria das estruturas dissipativas de Prigogine quer a teoria sinergética de Haken explicam o comportamento das partículas através dos conceitos de revolução social, violência, escravatura, dominação, democracia nuclear, todos eles originários das ciências sociais (...)" (pg. 41)

Em certa medida, penso exactamente o oposto.

"Os conceitos de teleomorfismo, originalidade, individualidade, historicidade, atribuem à natureza um comportamento humano." (pg. 41)

Diz o professor que H. Haken salienta as potencialidades da sinergética para explicar situações revolucionárias na sociedade. O que me parece muito interessante como visão para o futuro. Conclui no entanto exactamente o oposto do que me parece se pode concluir, "(...) em vez de serem os fenómenos sociais a serem estudados como fenómenos naturais, serem os fenómenos naturais como se fossem sociais (pg. 42)"

Diz o professor nessa tão celebrada secção onde defende a tese de que todo o conhecimento é auto-conhecimento: "No domínio das ciencias fisico-naturais, o regresso do sujeito fora, já anunciado pela mecânica quântica ao demonstrar que o acto do conhecimento e o produto do conhecimento eram inseparáveis"(pg. 51). Sobre este
aspecto o professor é ainda mais claro: "(...) Hoje é possível ir muito além da mecânica quântica. Enquanto esta introduziu a consciência no acto de conhecimento. nós temos hoje de a introduzir no próprio objecto do conhecimento, sabendo que com isso, a distinção sujeito/objecto sofrerá uma transformação radical. (pg. 38)". Não se poderia ser mais claro. Felizmente, não são necessários humanos para se fazerem medições em sistemas microscópicos e muito menos seres conscientes. A natureza inanimada está continuamente a fazer medições e a obedecer ao principio de Incerteza.

Esta passagem em que se coloca a consciência no próprio objecto do conhecimento permite perceber a tese de que no paradigma emergente, o carácter auto-biográfico e auto-referenciavel da ciência é plenamente assumido (pg. 53).

Sobre a questão do humano e não humano encontramos no texto do professor Boaventura uma frase que ilustra muito bem o seu pensamento: "Não há natureza humana porque toda a natureza é humana" (pg. 44).

Concordo inteiramente com a afirmação de que o que se entende por natureza humana está cada vez mais esbatido, que é razoável ter a visão de que no futuro isso se tornará progressivamente mais e mais evidente. Mas as razões porque penso assim são exactamente as opostas das enunciadas pelo professor: será assim porque tudo o que é humano é natural e não porque tudo o que é natural é humano. Claro que a ciência é uma actividade humana, claro que a linguagem que usamos para descrever a natureza nunca deixará de ser inapelavelmente humana. Acredito no entanto que existe algo para além da linguagem e da descrição e que sendo possíveis várias formas diferentes de descrever a mesma coisa é porque estas várias formas (linguagens) se podem rigorosamente demonstrar equivalentes
 
sábado, dezembro 06, 2003
  Obrigado pelo seu comentário

Agradeço os comentários do editor da Maquina de Turing às minhas considerações sobre o papel do conceito de emergência no "programa de pesquisa" em neurociência traçado por Damásio no seu livro "Ao encontro de Espinosa". Como se conclui do texto que se segue não faz sentido continuar este debate porque assenta sobre posições de principio divergentes que não são susceptiveis de comprovação. Para mim, o homem, o humano, é parte integrante do mundo natural e a sua especificidade resulta, essencialmente, de um grau elevado de complexidade.

Sobre o que queria dizer sobre a relação entre vários níveis de descrição da natureza dou vários exemplos:

Um primeiro, que diz respeito à Química e à Física. Podem estudar-se as reacções químicas de compostos orgânicos de um ponto de vista tipicamente químico identificando as reacções quimicas que envolvem um dado composto com muitos outros, determinar experimentalmente as constantes de reacção química, as entalpias de reacção e outras coisas, sem ser necessário em nenhum caso ter de considerar a estrutura geométrica e a natureza atomística do composto. Podem até enunciar-se leis: esta familia de compostos reage com esta outra familia dando origem a estes e aqueles compostos. Não há nenhum mal nisso e esta abordagem é a mais eficiente para muitos fins práticos. No entanto, é possível estudar a distribuição espacial da densidade de carga electrónica na molécula, usando a Física Quântica, e perceber porque é que dois compostos dessas duas familias dão origem a compostos de um tipo e não de outro e "perceber" as leis empiricas anteriormente formuladas.

Outro exemplo, agora do interior da Física. A termodinâmica é uma disciplina completamente "fechada" assente em "leis" que permitem fazer previsões. Toda a teoria pode ser usada sem necessidade de se ter em conta a constituição atomistica da matéria. Contudo, podemos "perceber" as leis termodinâmicas a partir da fisica estatística, que tem em consideração as propriedades microscópicas das substâncias.

A mais ou menos recente aplicação da teoria de jogos a problemas de economia é também uma maneira de ligar dois níveis de descrição. Individuos com um certo tipo de reacção estocástica a estímulos provocados por outros individuos reagem de uma certa forma que actua como estímulo para outros, que reagem. Do modelo do individuo e da forma como interagem resultam comportamentos colectivos eventualmente misteriosos mas identificáveis e classificáveis a um nível conceptual puramente "macroscópico" (e até passível de estudo quantitativo).

A existência de uma relação entre vários níveis de descrição da realidade não implica que não seja útil continuar a estudar os fenómenos no interior de um certo sistema empirico estanque. Muitas vezes essa abordagem será a mais eficaz. No entanto, se se não admitir que existe uma relação entre os diferentes niveis e se se não estudar essa relação não é possível encontrar uma nova forma de entendimento dos "fenómenos" que nos parece, esteticamente, mais completa.

A minha posição, de principio, é que existe relação entre vários níveis de descrição e que deve ser estudada até onde for possível. Admito que é uma questão de crença e que não posso fundamentar esta posição em algo mais substancial. Também penso que aqueles que afirmam que projectos de investigação deste tipo
estão fundamentalmente condenados ao fracasso, também não podem fundamentar esta sua posição. O ponto a favor dos que "acreditam" é que só acreditando se pode progredir. Noutros posts já chamei a este tipo de crença, nas possibilidades da ciência, a imbecilidade (idiotice) fundamental. Imbecilidade porque é um programa eventualmente sem fim, para a eternidade, um esforço imenso empreendido sem qualquer garantia de sucesso (vejo contudo alguns bons indicadores, mas sou eu que vejo).

 
terça-feira, dezembro 02, 2003
  Morangos Silvestres

Graças aos amigos cultos vou tentando, sem conseguir, tapar os buracos mais evidentes da minha ignorância. Ontem à noite, por exemplo, estive a ver o Wild Strawberries do Bergman. Fiquei realmente impressionado. É uma obra-prima, sem dúvida. Já pela manhã, uma pequena pesquisa e encontrei um bom texto sobre o filme com links no Guardian.

Deste site, esta frase:
"The questions are on a child's level - Why must we live? Who are we? Is there a God? - but as grown-ups many believe that they have already found the answers to them. It is only at the approach of death that such people begin to concern themselves once more with these questions (this is stunningly portrayed in Cries and Whispers, The Silence and Wild Strawberries.)"

Para o Natal já chegaram quatro filmes do Carl Dreyer que há bem pouco tempo nem sabia que existiam.  
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