O Almocreve dá-nos, num excerto de Virginia Woolf, uma contribuição para o pensamento sobre a Educação. Trata-se de um assunto de grande actualidade dado se encontrarem em revisão quer a lei de bases do sistema educativo ( 5 projectos de lei em discussão, Governo, PS, PCP, BE, PEV), quer a lei de autonomia das universidades (2 projectos lei em discussão, Governo e PS). Por conseguinte, devem os deputados ler Virginia Woolf.
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Sábado, Janeiro 24, 2004
Por longe
Estou fora. De qualquer modo, não resisto a linkar o post do Alex sobre Pi. Sim, mais disparates. Vou comprar o livro do professor para me divertir um pouco. Vem a propósito referir que esta semana fiquei a saber que um amigo meu, que já não vejo há muito tempo, anda pela blogosfera e por sinal com muito impacto. Daqueles amigos que víamos todos os dias, à tarde, à noite (de manhã o mais provável era estarmos todos a dormir). A propósito, dizia... era eu pequenino nessa altura e os meus amigos, alunos do distinto professor, falavam-me das suas ideias sobre ciência. Aquilo, nunca me cheirou ... Mais tarde, a meio do curso de Física, em 1985/86, lembro-me de ter discutido a oração de sapiência que deu origem a essa pérola intitulada "Discurso Sobre as Ciências". Um abraço para o meu amigo BlogoEsférico. O blog dele é um dos que está aqui ao lado há muito tempo.
¶ Posted by luke 7:19 PM Comentários:
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
Atrito de maré e o efeito de aumento da duração dia
A seguinte figura, retirada deste slideshow , mostra muito bem o que se passa.
Como a Terra está a rodar há atrito entre a agua do oceano atraida pela lua (maré) e a propria terra fazendo com que a sua velocidade de rotacao diminua. A velocidade de translação da lua na sua orbita à volta da terra aumenta e a distancia terra-lua aumenta. Este aumento de velocidade de translação da lua é uma manifestção da terceira lei de Newton - a força que faz diminuir a velocidade angular de rotação da terra é o par acção-reacção da força que faz acelerar a lua na sua orbita.
Estimulado pelo post da Metamorfose sobre a variação da duração do dia, lembrei-me de umas leituras antigas que achei muito interessantes sobre as teorias de formação da Lua e a sua importância para a vida na Terra e para a duração do dia.
A Terra ocupa um lugar singular no sistema Solar também porque tem uma lua grande comparada com as dos outros planetas. Vénus não tem luas e Marte tem duas luas muito pequeninas. Por isso, as teorias de formação de luas têm que explicar uma certa desigualdade entre os vários planetas. Pelo menos quatro teorias têm sido avançadas para a formação da nossa Lua: formação simultânea com a Terra, captura gravitacional, geração (expulsão) de material por rotação elevada a partir de uma Terra incandescente e a Teoria de Orfeu. O facto de a Lua não ter um núcleo de Ferro com dimensões proporcionais aos da Terra (mas um pequeno núcleo) é uma forte objecção à primeira das teorias. A captura gravitacional pela Terra de um corpo com as dimensões da Lua é também de excluir. A física também não sustenta a teoria da expulsão de material incandescente.
Tanto quanto sei a teoria que mais se "aguenta" pela comparação das suas previsões com a observação é a teoria da colisão entre a Terra e um planeta com um diâmetro de cerca de metade do da Terra que se convencionou designar de Orfeu. Uma colisão ocorrida quatro e meio milhares de milhões de anos atrás. Uma colisão, apesar de tudo com velocidade e ângulo de impacto relativamente especial - muitas colisões poderiam gerar duas luas que a teoria prevê serem instáveis. Acredita-se que as colisões de corpos celestes podem estar na origem de outros fenómenos observáveis no sistema solar como os anéis dos planetas Urano e Saturno e a "lenta rotação retrógrada" (243 dias terrestres de Leste para Oeste) de Vénus. Sobre a rotação de Vénus temos um especialista português.
Logo após a sua formação, a lua estaria incandescente e o seu tamanho no céu da Terra seria muito maior que o actual. Estaria também muito mais próxima. A Terra rodava sobre si em apenas quatro horas. O efeito de maré seria então muito mais pronunciado. Desde essa altura a Lua vem se afastando da Terra o que provoca (está associado) o aumento da duração do dia. (Actualização: A Terra perde energia e momento angular e a lua ganha energia originando o seu afastamento. Este efeito explica o aumento do dia de 2.3 ms em cada século. Sobreposto a este efeito existem outros que são periodicos e outros irregulares) . Em dois mil anos este efeito fez com que o dia terrestre aumentasse de duração cerca de cinco centésimos de segundo. A lua encontra-se agora a 384400 Km (em média) e todos os anos se afasta 3,8 cm. A causa deste afastamento é a perda de energia pelo atrito associado com as marés.
Vamos um dia perder a Lua! O grande problema é que faz imensa falta. O efeito mais importante da Lua consiste no facto de a sua presença estabilizar o eixo de rotação da Terra que roda (como um pião) com um ângulo de 23º relativamente ao plano da ecliptica (plano da órbita da Terra em torno do Sol). Uma variação deste ângulo de inclinação faria variar a energia recebida do Sol (insolação) de uma forma considerável com consequências dramáticas sobre o clima da Terra - alterações da localização das regiões desérticas, ventos fortes, tempestades...
Como vemos no post da Metamorfose há outros efeitos que condicionam o período de rotação da Terra e que o podem até fazer diminuir - a dinâmica do núcleo da Terra, variações na sua forma...Mas o efeito do atrito das marés é o do aumento lento, mas sistemático, do período de rotação.
O nascimento e a morte fazem parte de outras vidas. Uma pré-determinação, para além da memória. Vive-se a recordar o passado e o futuro. Mas são coisas essencialmente diferentes...embora, imagens do passado e do futuro coabitem em nós. Na pluralidade do futuro, há sempre um futuro em que a morte não existe. De nada serve a recordação da morte e não é por isso que as memórias deixam de ser importantes. Que bom seria ter-se uma memória vivida do nascimento, não das coisas, tal como acontecereram, mas dos sentimentos.
Los Nascimientos
Nunca recordaremos haber muerto. Tanta paciencia
para ser tuvimos
anotando
los números, los días,
los años y los meses,
los cabellos, las bocas que besamos,
y aquel minuto de morir
lo dejamos sin anotación:
se lo damos a otro de recuerdo
o simplemente al agua,
al agua, al aire, al tiempo.
Ni de nacer tampoco
guardamos la memoria,
aunque importante y fresco fue ir naciendo;
y ahora no recuerdas ni un detalle,
no has guardado ni un ramo
de la primera luz.
Se sabe que nacemos. Se sabe que en la sala
o en el bosque
o en el tugurio del barrio pesquero
o en los cañaverales crepitantes
hay un silencio extrañamente extraño,
un minuto solemne de madera
y una mujer se dispone a parir.
Se sabe que nacimos.
Pero de la profunda sacudida
de no ser a existir, a tener manos,
a ver, a tener ojos,
a comer y llorar y derramarse
y amar y amar y sufrir y sufrir,
de aquella transición o escalofrío
del contenido eléctrico que asume
un cuerpo más como una copa viva,
y de aquella mujer deshabitada,
la madre que allí queda con su sangre
y su desgarradora plenitud
y su fin y comienzo, y el desorden
que turba el pulso, el suelo, las frazadas,
hasta que todo se recoge y suma
un nudo más el hilo de la vida,
nada, no quedó nada en tu memoria
del mar bravío que elevó una ola
y derribó del árbol una manzana oscura.
"O artigo 164, número dois, diz que não podem ser juntos documentos que contenham declarações anónimas, salvo se forem, eles mesmos, objectos do crime. O que, neste caso, parece não ter acontecido, porque a carta foi considerada sem fundamento pelo procurador"(...)
"É inconcebível que um documento que não foi valorizado minimamente e que não tenha servido para qualquer tipo de investigação seja mantido de uma forma que o torne acessível e que permita este tipo de especulações."
José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados
Juiz reformado defende João Guerra
(...) o procurador João Guerra demonstrou que "não oculta nenhuma prova".
(...) alegando que essa prática se faz "inúmeras vezes com coisas que parecem inúteis mas que têm a sua razão de ser.
Pelo que ouvi na televisão, alguém no Sindicato dos Magistrados do Ministério Público considera que a junção das cartas anónimas ao processo estava plenamente justificada.
Apesar de tudo não me parece que seja assunto de que toda a gente possa falar, no sentido de Feynman.
A procuradoria continua a emitir comunicados em profusão, assinados pela Sra. Dra. assessora de imprensa. Será que o Sr. Procurador faz uma leitura prévia? Será que concorda com o seu teor? Talvez sim, talvez não. Porque vêm assinados pela Sra. Dra. assessora de imprensa? Talvez porque o seu teor seja tão obvio que não justifique o mais pequeno consumo do precioso tempo do Sr. Procurador. Então, porque suscitam tanta atenção da opinião publica?
Ontem, cheguei mesmo a irritar-me, um pouco, com este assunto quando alguém me disse: "Já ouviu as noticias? Até o Sampaio e o Vitorino estão metidos nisto..." . Ameacei de imediato escrever uma carta anónima a implicar o meu interlocutor no caso. Compreensivelmente, não me voltou a falar no assunto.
A peça foi, pela primeira vez, levada à cena, em Los Angeles, a 25 de Março de 2001, e Alan Alda interpretou o papel de Feynman. Lembro-me bem do Alan Alda nos filmes de Woody Allen, Manhatan Murder Mistery (1993) e Crimes And Misdemeanors (1989).
Um pequeno excerto da peça:
Feynman:
(...)
Quando ganhei o prémio Nobel, tive que ir à Suécia. No jantar com a Rainha, aconteceu aquela coisa que sempre acontece entre mim e a realeza. Um gelo que se forma nas suas faces...A Rainha perguntou-me porque me tinham dado o prémio Nobel e quando respondi física quântica disse: "Ah, podemos então falar disso porque ninguém entende nada". Pelo contrário, respondi, sabemos muito acerca da física quêntica e é por isso que não podemos falar. Do que podemos falar é de tudo o resto de que sabemos pouco - como eliminar a pobreza, diminuir a criminalidade, acabar com as drogas..." Foi nessa altura que na sua face se formou aquele gelo.
O telefone toca Não interessava se tinha "boas roupas" porque me esqueci das "boas maneiras".
(...)
¶ Posted by luke 10:44 PM Comentários:
Aprender a perder é aprender a descobrir (encontrar) e a inventar (criar).
Para maior visibilidade, como diria Deus Vísivel, aqui fica o excerto de Manuel Gusmão, enviado pela Maia (obrigado).
"Deves ter aprendido no passado a perder coisas. E a inventá-las depois no pátio entre a entrada em arco e a palmeira do nascimento. De lá vem-te uma praia sem mar perto, só uma poalha brilhante e seca. Vais procurá-la sem medo numa tarde que só devagar se morre a um círculo de inverosímeis teixos. O que agora vês deveria ter o cheiro da terra depois da chuva de Julho para que a palmeira viesse iluminada de dentro do teixo aceso no livro. ? o que é que gostarias de pedir?"
Manuel Gusmão
¶ Posted by luke 10:05 PM Comentários:
Para os meus pensamentos expansivos
Contacto: anluisca@netvisao.pt